Cuidar de nós mesmos em tempos de incerteza: um guia de autocuidado para profissionais de EeE
As recentes ordens de interrupção de trabalhos do governo dos EUA e o retrocesso e vilanização das iniciativas de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade (DEIA, na sigla em inglês) estão tendo implicações de longo alcance para o nosso setor. Os impactos imediatos incluem a interrupção de intervenções que salvam e garantem a vida de milhões de pessoas, incluindo oportunidades de educação para estudantes e educadoras/es em contextos afetados por crises. Além disso, os cortes de verbas, as demissões e a crescente sensação de insegurança nos postos de trabalho em todo o setor de assistência acrescentaram camadas de estresse ao nosso já desafiador trabalho na educação em situações de emergência (EeE). Enquanto continuamos a apoiar estudantes e professoras/es durante as crises, é fundamental que também cuidemos de nosso próprio bem-estar.
Com base nos princípios de apoio psicossocial e aprendizagem socioemocional (AP-ASE) que sustentam a EeE, aqui estão algumas estratégias de autocuidado criadas especificamente para esses tempos turbulentos.
1. Abrace suas conexões e sua comunidade
- Crie sua rede de apoio: Assim como criamos espaços seguros para as pessoas a quem servimos, agora é o momento de nos apoiarmos em nossos próprios espaços seguros e em pessoas seguras. Reuniões regulares, reuniões informais com as equipas ou pausas para café presenciais/virtuais com amigos e colegas podem nos ajudar a compartilhar experiências e cargas emocionais, pois nos ajudam a lembrar que não estamos sozinhas/os ao enfrentar esses desafios. Para as pessoas que perderam o emprego, uma mensagem de texto ou uma ligação amigável e um pouco de incentivo são muito úteis.
- Envolva-se em uma reflexão colaborativa: Nestes tempos de incerteza, os grupos de apoio de colegas ou as sessões de supervisão reflexiva tornam-se ainda mais valiosos do que nunca. Compartilhar nossas lutas e sucessos ajuda a reforçar a resiliência e oferece novas perspectivas sobre o gerenciamento de mudanças. Vamos criar espaços seguros para que todos possam compartilhar.
2. Pratique a autoconsciência e a atenção plena
- Reconheça seus sinais emocionais: Em meio à incerteza dos cortes de verbas e da insegurança no emprego, é essencial monitorar seu estado emocional. Reserve alguns momentos diários para avaliar como está se sentindo - reconheça o estresse, a ansiedade ou a fadiga sem julgamentos. Tome medidas para gerenciar intencionalmente essas emoções e peça ajuda quando estiver sobrecarregada/o.
- Acrescente pausas conscientes: Seja uma respiração profunda, uma breve meditação ou uma caminhada tranquila, a incorporação de pausas conscientes ao longo do dia pode ajudar a restaurar uma sensação de calma e clareza diante de circunstâncias imprevisíveis.
3. Cultive o controle emocional e a autocompaixão
- Aplique as técnicas que ensinamos: Em momentos de estresse elevado, usar as mesmas técnicas de regulação emocional que defendemos para estudantes e educadoras/es pode ser particularmente benéfico. Lembre-se de que é natural sentir-se sobrecarregada/o e que a autocompaixão não é um luxo, mas uma necessidade.
- Comemore as pequenas vitórias: Mesmo quando as metas maiores parecem fora de alcance, mesmo quando o futuro parece incerto, reconhecer e comemorar as pequenas realizações diárias desenvolve a resiliência e nos lembra de que o progresso, mesmo que lento, é importante.
4. Estabeleça limites claros
- Proteja seu tempo e sua energia: Com as pressões da insegurança no emprego e o aumento da carga de trabalho, estabelecer limites claros e firmes se torna ainda mais essencial. Delimite claramente as horas de trabalho e o tempo pessoal para evitar o esgotamento.
- Dê prioridade ao descanso e à recuperação: Lembre-se de que sua capacidade de apoiar outras pessoas está diretamente ligada ao quanto você cuida de si mesma/o. Programe pausas regulares, desconecte-se quando necessário e garanta que o descanso faça parte de sua rotina, mesmo que isso pareça contraintuitivo em tempos de crise. Você só pode dar aquilo que tem!
5. Envolva-se em práticas reflexivas
- Reflita sobre suas experiências: Use um diário reflexivo ou converse com colegas de confiança para processar o impacto das mudanças recentes. Essa reflexão não apenas aprimora sua prática profissional, mas também auxilia no crescimento pessoal, ajudando-o a se adaptar ao cenário em evolução.
- Adapte-se e aprenda: Os desafios atuais podem exigir que reavaliemos nossas rotinas de autocuidado continuamente. Esteja aberta/o para explorar novas estratégias e adaptar as existentes para melhor atender às suas necessidades em constante mudança.
6. Busque e ofereça apoio
- Peça ajuda quando necessário: Nestes tempos de incerteza, buscar apoio é uma força, não uma fraqueza. Seja por meio de aconselhamento profissional, supervisão ou simplesmente conversando com um colega de confiança, não hesite em buscar ajuda.
- Compartilhe suas práticas de autocuidado: Ao discutir estratégias eficazes de autocuidado com outras pessoas, promovemos uma cultura de apoio mútuo. Compartilhar recursos, experiências pessoais e estratégias de enfrentamento pode capacitar toda a nossa comunidade a enfrentar esses desafios com mais eficiência.
Ao aplicar os mesmos princípios de AP-ASE de conexão, atenção plena, autocompaixão, estabelecimento de limites, prática reflexiva e apoio, podemos criar resiliência não apenas para nós mesmas/os, mas também para as pessoas com quem trabalhamos e para as comunidades que atendemos. Cuidar de nós mesmas/os durante esses períodos é essencial para manter a força e a capacidade necessárias para continuar nosso trabalho vital.
Mantenha-se resiliente, cuide de si mesma/o e lembre-se: juntas/os, podemos atravessar esses tempos incertos.
Para mais informações e orientações, recomendamos que você consulte também:
- Manual da INEE sobre Apoio Psicossocial
- WHO guideline on self-care interventions for health and well-being, 2022 revision (Diretriz da OMS sobre intervenções de autocuidado para a saúde e o bem-estar, revisão de 2022, em inglês)
- The ADAPT model: A conceptual framework for mental health and psychosocial programming in post-conflict settings (O modelo ADAPT: uma estrutura conceitual para saúde mental e programação psicossocial em ambientes pós-conflito, em inglês), de Derrick Silove
- Self-Care Strategies for Educators During the Coronavirus Crisis: Supporting Personal Social and Emotional Well-Being (Estratégias de autocuidado para educadores durante a crise do coronavírus: apoiando o bem-estar pessoal, social e emocional, em inglês), de Christina Pate
- Requisitos Mínimos da INEE para a Educação: Preparação, Resposta e Reconstrução
- Guidelines on Mental Health and Psychosocial Support in Emergency Settings (Diretrizes sobre saúde mental e apoio psicossocial em situações de emergência, em inglês e outros idiomas), de The Inter-Agency Standing Committee (IASC)
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Esther Mbau coordena o trabalho de AP-ASE na INEE. Ela é apaixonada por saúde mental, empoderamento e desenvolvimento de outras pessoas.



